domingo, 31 de julho de 2011

Uma gota salgada saltou-lhe os olhos e lavou-lhe o rosto sujo do escarro.
Aquela gotícula por tempos reprimida, aparentemente, insignificante, mas que trás toda a dor e angústia de quem um dia acreditou,amou e se doou.
Seu corpo, em uma vã tentativa, procurava de toda e qualquer forma expulsar aqueles sentimentos parasitas que se multiplicavam à milhares. Uma verdadeira praga.
Ela queria um albendazol para sentimentos, uma anita que inibisse essas lembranças que lhe corroíam a alma.
Mal sabia ela que à cada tentativa esses parasitas sofriam uma mutação e tornavam-se indestrutíveis.
Eles a invadiram e se tornaram parte vital de seu corpo. Não havia mais o que fazer. 
Afinal,ela sentia que sofria com eles, mas morreria sem eles.

domingo, 3 de julho de 2011

Fujo do mundo lá fora e procuro refúgio  no silêncio do meu quarto à meia luz. É aqui,longe da loucura do asfalto e das vozes gritantes, que eu te encontro.Teu abraço é minha casa, teu rosto expressivo me instiga, teu sorriso me domina de um jeito que eu nunca compreendi e tua boca me chama pro mais delicioso e mortal dos pecados.
É no delírio da dança frenética dos nossos corpos que eu encontro meu eu. Tu me faz mulher, poderosa, indestrutível.
É entre goles de vinho barato e caricias faladas que eu te entrego minha alma desnuda e sussurro os meus desejos perdidos. Dançamos nas noites, brincamos, deliramos,deliramos...Ah,tudo não passa de um delírio.
 Tu está longe, teus braços entrelaçam outros corpos, eu não sou o motivo dos teus sorrisos e é outra boca que prova o teu beijo. 
Você aí, eu aqui. 
Quilômetros me separam do paraíso, mas eu insisto. Lembro momentos que nunca vivemos.Te procuro e te encontro nas garrafas de whisky espalhadas pela casa. O cigarro que está em meus dedos simboliza a tua mão. Jamais a soltarei.
.....pode ser ilusão, mas eu sonho e continuarei sonhando.

domingo, 5 de junho de 2011


Por medo, deixe o tempo passar.
Passaram pessoas,passaram anos,passou a vida.Tudo,simplesmente, passou.
Agora sou refém de sonhos,de planos não realizados,de palavras não pronunciadas,de momentos não vividos.
Me tornei um clichê cansativo.
Um corpo de alma moribunda e mente doentia.
Um ser sem forças pra levantar e recomeçar.